segunda-feira, 24 de maio de 2010

Um texto sobre um contexto

Certas coisas na caminhada que empreendemos nos fazem parar e respirar fundo, para tomarmos um pouco de alento e depois de medidas feitas, continuarmos dando passo sobre passo.
Uma dessas coisas que me fizeram parar nestes dias foi um artigo que li, não pelo interesse no autor e sim, pelo interesse
despertado pelo título. Este artigo está publicado na revista Veja edição nº 2163 de 05 de maio. Portanto, ainda dentro de uma data mui próxima.
O articulista Sr. Roberto Pompeu de Toledo de forma brilhante desenvolve o tema nos chamando a atenção sobre o grande e novo jogador da atualidade Neymar.
Desenvolve o tema trabalhando a pessoa do Pai que amargurou uma mesma profissão, porém sem o mesmo brilho e talento do filho.
Mas, o que me chamou a atenção foram as seguintes comparações que o autor faz, exemplo: “E os estudos? Neymar parou cedo, e nesse ponto não há notícia de empenho do pai em sentido contrário. O jogador Henry, da seleção francesa, disse uma vez que a grande vantagem dos jogadores brasileiros é que desde meninos eles não têm outra coisa a fazer senão jogar bola na rua, nas praias ou nos campos, enquanto os europeus passam o dia na escola”.
O autor prossegue: “O argumento leva à conclusão de que o sucesso do futebol brasileiro se deve ao fracasso do sistema escolar do país”. Assim, termina o articulista seu texto.
Bom, vamos tecer algumas considerações:
Primeira: O argumento do jogador Henry não é de fato estarrecedor, contudo o sucesso de nosso futebol está nas habilidades de nossas crianças e de que este esporte é de fato praticado por todas as classes sociais, mas de certa forma mais incentivado nas classes menos favorecidas de nosso povo. Ora, o nosso sistema educacional promulga justamente o inverso, ou seja, temos escola em todos os rincões deste país, porém as melhores estão dentro das possibilidades financeiras de alguns poucos privilegiados.
As escolas que fazem sucesso, não são as públicas e sim as escolas particulares e principalmente as de mensalidades altíssimas.
Assim, a prática do futebol é para todos... A escola embora midiaticamente seja para todos na verdade... É para poucos. O que precisamos talvez não seja mais dinheiro. O que precisamos é de uma política educacional que seja absorvente e não excludente. Enquanto teimarmos em achar que três horas por dia de escola levarão alguém a algum lugar.
Perceberemos sempre que este lugar nunca chegará. Se tivéssemos uma escola de tempo integral, com um novo currículo, certamente não teríamos que com tristeza verificar que talentos podem muito bem coexistir com uma escolaridade alicerçada nos conhecimentos fundamentais e necessários para um homem tornar-se apreciado não num curto espaço de tempo e sim numa vida toda.
Segunda: Quantas escolas você sabe que foram construídas neste país nos últimos anos? Agora com certeza todos sabemos que muitos estádios de futebol foram construídos e outros tantos serão nos próximos anos, afinal sediaremos a copa de 2014. Parabéns a todos... Somos o país do futebol... E quanto a educação... Deixa isso prá lá!

Prof. Marcos Tarcisio Pinto Lopes