
Na atual sociedade do desperdício, parte considerável da extração de matérias primas retorna à natureza, acumulando-se em lixões, aterros ou amontoados próximos a córregos e estradas. Isso contamina os solos, atinge rios e praias, além de entupir os bueiros urbanos. Mas o problema mais grave é que é esse mesmo montante de lixo que retorna a você e a sua família, sob a forma de doenças como a dengue, um dos maiores problemas de saúde pública mundial. O fato é que não dá mais para fechar os olhos para essa situação.
O superintendente de Vigilância em Saúde da secretaria estadual do Rio de Janeiro, Victor Berbara, explica que um dos focos mais freqüentes de reprodução do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, é aquele provocado pelo acúmulo de lixo, o que se aplica tanto para resíduos mal acondicionados, jogados em terrenos baldios ou para os não recolhidos. “Esse lixo tem a possibilidade de acumular água e, se não for tratado convenientemente ou recolhido, permanecerá no meio ambiente por bastante tempo, tempo suficiente, inclusive, para funcionar como criadouro para todo o ciclo de reprodução do mosquito” – reforça Berbara.
Para além da questão do lixo de uso doméstico, resíduos industriais, hospitalares, entre outros, as fontes mais críticas de proliferação da doença são o lixo composto por carcaças de automóveis e o despejado em terrenos baldios. A própria garrafa pet, resíduo comumente descartado de forma inadequada, acumula água e contribui para perpetuar o vetor. Outras doenças como a leptospirose, produzida pela urina do rato, e acidentes com animais peçonhentos, como o escorpião, são mais propícios em locais onde impera o lixo orgânico.
Já os rejeitos jogados em encostas são, para o superintendente, “os de mais difícil coleta posterior e devem ser emergencialmente evitados, uma vez que, além do risco de transmissão de doenças, esse tipo de lixo provoca acidentes ou deslizamentos, sobretudo no período chuvoso, gerando, inclusive, casos de morte”. Segundo Berbara, vale ressaltar também que o despejo não apropriado de lixo, bem como seu inadequado manejo, provocam o acúmulo de rejeitos na rede pluvial, causando entupimentos e enchentes.
Reciclagem: a fórmula da sustentabilidade
“Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, já dizia a Lei da Conservação das Massas, do químico Antoine Lavoisier (1743-1794), que aplicada aos novos tempos, estrutura a base da teoria da reciclagem, via segura para o desenvolvimento sustentável.
Para combater o acúmulo de montantes de lixo no planeta, a dica é simples: contenha o consumo desenfreado, evite o descarte inconsciente e reintegre ao ciclo natural os materiais em desuso. Com o princípio dos 3R’s fica, aqui, a fórmula da sustentabilidade: REDUZA, REUTILIZE E RECICLE. Separe as sobras de seu dia-a-dia em lixo comuns e recicláveis e os encaminhe para os seus devidos destinos. Só assim, você garante à sociedade um de seus princípios básicos: sua saúde.